Por Onda TKM
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9 de março de 2021
A nova rotina vivenciada por inúmeras famílias, após concluirmos um ano de pandemia, trouxe uma série de desafios. Pais mais presentes, mas em uma nova ordem de trabalho e dinâmicas sociais, não foi necessariamente sinal de melhores cuidados e atenção.
A criança não tem conhecimento, tampouco autonomia para tomar as melhores decisões, acalmar suas frustrações, reconhecer o que de fato é o mais apropriado para sua saúde. Diante do stress, da desorganização ou da sua ansiedade, ela sempre irá fazer escolhas instintivas, baseadas na sua satisfação mais imediata. Ou seja, vai escolher “beliscar” o que tem na geladeira ou deixar de escovar os dentes após uma refeição açucarada. Os consultórios odontológicos estão evidenciando os efeitos das mudanças comportamentais e nutricionais, consequentemente, o crescimento dos problemas na saúde bucal das crianças, como cáries e bruxismo. Crianças estressadas e o bruxismo É consenso que a saúde mental foi altamente impactada, influenciando sentimentos e comportamentos relacionados a ansiedade, irritabilidade, apego, tédio, mudanças de humor e até mesmo a solidão do distanciamento da escola e amigos. E o que precisa ficar claro: não cabe as crianças liderarem essa nova ordem, enquanto adultos parecem perdidos e assustados nessa confusão de sentimentos.
Um dos problemas mais comuns, e que só tem aumentado nos consultórios é o Bruxismo, caracterizado pelo ranger ou apertamento exagerado dos dentes durante o dia ou à noite.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, afeta cerca de 84 milhões de brasileiros, equivalente a 40% da população. Ele é multifatorial, mas sabe-se que a associação entre arcadas dentárias desalinhadas e fatores emocionais como ansiedade, raiva, tensão, stress e depressão, tem contribuído para seu agravamento nas crianças. A odontologia miofuncional - tratamentos que atuam na reeducação da musculatura facial e mastigatória, corrigindo maus hábitos miofuncionais como respiração bucal, deglutição atípica e posicionamento incorreto da língua – contribui para o alinhamento dos dentes, desenvolvimento dos ossos e musculatura da face, respiração nasal e melhora sistêmica, corrigindo os problemas que causam o bruxismo.
Pais e cuidadores precisam ajudar a criança a sair do “comer automático”, acalmar suas ansiedades e influenciar seus hábitos de higiene. Uma perigosa rotina açucarada.
Evite o conforto dos ultraprocessados.
É sempre assim, no meio da confusão, o mundo ágil, fácil e prático dos alimentos disponíveis são a salvação, o conforto e a melhor companhia. E nesse ambiente os ultraprocessados ganham ainda mais espaço, por seu alto apelo sensorial, praticidade, disponibilidade, durabilidade e alto teor energético. Crianças tem saciado sua fome e sentimentos com bolachas, salgadinhos, sucos prontos, doces, chocolate, congelados, macarrão instantâneo, pipoca de micro-ondas, bolos prontos e guloseimas em geral. Alimentos de baixa demanda mastigatória, embalagens práticas e sedutoras, prontos para consumo a qualquer hora e local. A saúde bucal e sistêmica da criança está sendo atacada.
É inegável, as crianças adoram. É mais fácil para os pais, entre demandas de trabalho, filhos e vida corrida. Temos assim a combinação perfeita para o consumo exagerado dos ultraprocessados, e com eles o organismo de crianças sendo alimentados por altos teores de gordura, açúcar e sal. E esse combo tem sido acompanhado de uma maior displicência com a higiene bucal.
Uma alimentação rica em açucares e gordura predispõe crianças a um risco maior para excesso de peso, desenvolvimento da cárie dentária e erosão dental. Estimular modelos alimentares saudáveis e
rotinas definidas, integrando a higienização bucal.
Para promover uma realidade a favor da saúde dos seus filhos, os adultos precisam assumir as rédeas da casa. É essencial que a família estabeleça uma rotina para as crianças, incluindo horários regulares de alimentação, sono, estudo, higiene pessoal e atividade física. Uma atitude simples faz toda diferença, como deixar fácil acesso à criança a uma fruta cortada, picada ou descascada. Os pais precisam estimular e facilitar, na rotina da casa, o consumo de alimentos saudáveis, acompanhados da correta higienização bucal pós refeição. A criança precisa seguir modelos alimentares, ou seja, os pais precisam liderar essa mudança, entender a vital necessidade de transformarem a própria alimentação. A nutrição não é somente uma aliada da saúde bucal, mas de toda saúde. Por mais óbvio que isso seja, muitos pais têm ignorado essa verdade consensual: a nutrição contribui decisivamente para imunidade de pais e filhos, logo uma indispensável aliada quando estamos diante de uma pandemia. É imprescindível valorizar os momentos da refeição, criar hábitos compartilhados, como sentar juntos à mesa com acolhimento, formar um ambiente de prazer e bem estar, saudável, desde a escolha de alimentos realmente nutritivos, uma boa apresentação dos pratos, estimular o apreço pela degustação, dando tempo para uma mastigação adequada, tudo isso integrado a conversas leves, sem cobranças e de forma alguma, com a presença de TV e celulares.
As famílias vivem um tempo oportuno para aprendizados diários. Sabemos que mudar nunca é fácil, exige uma rotineira dedicação, cuidado e afeto, capazes de construir novos hábitos alimentares e com eles, a adequada manutenção dos hábitos de higiene oral. Não hesite em buscar suporte na sua odontopediatra de confiança e a ajuda especializada de uma nutricionista. Esse é um esforço integrado que vale a pena, pela saúde: precisamos fortalecer crianças e famílias, mentalmente e em sua imunidade, para vencerem os desafios da mais plena saúde. Fonte: Sociedade de pediatria de SP / UOL – viva bem