Os consultórios odontológicos estão evidenciando os efeitos das mudanças comportamentais e nutricionais, consequentemente, o crescimento dos problemas na saúde bucal das crianças, como cáries e bruxismo.
Crianças estressadas e o bruxismo
É consenso que a saúde mental foi altamente impactada, influenciando sentimentos e comportamentos relacionados a ansiedade, irritabilidade, apego, tédio, mudanças de humor e até mesmo a solidão do distanciamento da escola e amigos. E o que precisa ficar claro: não cabe as crianças liderarem essa nova ordem, enquanto adultos parecem perdidos e assustados nessa confusão de sentimentos.
Um dos problemas mais comuns, e que só tem aumentado nos consultórios é o Bruxismo, caracterizado pelo ranger ou apertamento exagerado dos dentes durante o dia ou à noite.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, afeta cerca de 84 milhões de brasileiros, equivalente a 40% da população. Ele é multifatorial, mas sabe-se que a associação entre arcadas dentárias desalinhadas e fatores emocionais como ansiedade, raiva, tensão, stress e depressão, tem contribuído para seu agravamento nas crianças.
A odontologia miofuncional -
tratamentos que atuam na reeducação da musculatura facial e mastigatória, corrigindo maus hábitos miofuncionais como respiração bucal, deglutição atípica e posicionamento incorreto da língua – contribui para o alinhamento dos dentes, desenvolvimento dos ossos e musculatura da face, respiração nasal e melhora sistêmica, corrigindo os problemas que causam o bruxismo.
Pais e cuidadores precisam ajudar a criança a sair do “comer automático”, acalmar suas ansiedades e influenciar seus hábitos de higiene.
Uma perigosa rotina açucarada.
Evite o conforto dos ultraprocessados.
É sempre assim, no meio da confusão, o mundo ágil, fácil e prático dos alimentos disponíveis são a salvação, o conforto e a melhor companhia. E nesse ambiente os ultraprocessados ganham ainda mais espaço, por seu alto apelo sensorial, praticidade, disponibilidade, durabilidade e alto teor energético.
Crianças tem saciado sua fome e sentimentos com bolachas, salgadinhos, sucos prontos, doces, chocolate, congelados, macarrão instantâneo, pipoca de micro-ondas, bolos prontos e guloseimas em geral. Alimentos de baixa demanda mastigatória, embalagens práticas e sedutoras, prontos para consumo a qualquer hora e local. A saúde bucal e sistêmica da criança está sendo atacada.
É inegável, as crianças adoram.
É mais fácil para os pais, entre demandas de trabalho, filhos e vida corrida. Temos assim a combinação perfeita para o consumo exagerado dos ultraprocessados, e com eles o organismo de crianças sendo alimentados por altos teores de gordura, açúcar e sal. E esse combo tem sido acompanhado de uma maior displicência com a higiene bucal.
Uma alimentação rica em açucares e gordura predispõe crianças a um risco maior para excesso de peso, desenvolvimento da cárie dentária e erosão dental.
Estimular modelos alimentares saudáveis e
rotinas definidas, integrando a higienização bucal.
Para promover uma realidade a favor da saúde dos seus filhos, os adultos precisam assumir as rédeas da casa. É essencial que a família estabeleça uma rotina para as crianças, incluindo horários regulares de alimentação, sono, estudo, higiene pessoal e atividade física.
Uma atitude simples faz toda diferença, como deixar fácil acesso à criança a uma fruta cortada, picada ou descascada. Os pais precisam estimular e facilitar, na rotina da casa, o consumo de alimentos saudáveis, acompanhados da correta higienização bucal pós refeição.
A criança precisa seguir modelos alimentares, ou seja, os pais precisam liderar essa mudança, entender a vital necessidade de transformarem a própria alimentação. A nutrição não é somente uma aliada da saúde bucal, mas de toda saúde. Por mais óbvio que isso seja, muitos pais têm ignorado essa verdade consensual: a nutrição contribui decisivamente para imunidade de pais e filhos, logo uma indispensável aliada quando estamos diante de uma pandemia.
É imprescindível valorizar os momentos da refeição, criar hábitos compartilhados, como sentar juntos à mesa com acolhimento, formar um ambiente de prazer e bem estar, saudável, desde a escolha de alimentos realmente nutritivos, uma boa apresentação dos pratos, estimular o apreço pela degustação, dando tempo para uma mastigação adequada, tudo isso integrado a conversas leves, sem cobranças e de forma alguma, com a presença de TV e celulares.
As famílias vivem um tempo oportuno para aprendizados diários.
Sabemos que mudar nunca é fácil, exige uma rotineira dedicação, cuidado e afeto, capazes de construir novos hábitos alimentares e com eles, a adequada manutenção dos hábitos de higiene oral.
Não hesite em buscar suporte na sua odontopediatra de confiança e a ajuda especializada de uma nutricionista. Esse é um esforço integrado que vale a pena, pela saúde: precisamos fortalecer crianças e famílias, mentalmente e em sua imunidade, para vencerem os desafios da mais plena saúde.
Fonte: Sociedade de pediatria de SP / UOL – viva bem